Artigo por
*Dra Silvia Helena Cardoso do Amaral
Existe uma ideia bastante difundida de que o ano só começa depois do Carnaval. Janeiro passa como um aquecimento. Fevereiro, como uma espera coletiva. E a vida parece autorizada a seguir apenas quando a rotina “volta ao normal”.
Essa percepção atravessa conversas, agendas e decisões do dia a dia. “Depois do Carnaval eu resolvo”, “depois eu começo”, “depois organizo”. Aos poucos, esse “depois” vai ganhando força e se torna uma forma confortável de adiar.
O problema não está na pausa, no descanso ou na celebração,eles são necessários. A questão surge quando a espera vira regra e o adiamento passa a organizar escolhas importantes. Enquanto acreditamos que ainda não é o momento certo, nos poupamos de encarar decisões, mudanças e até conversas que exigem posicionamento.
O calendário avança, mas aquilo que foi deixado para depois continua ali, aguardando. A rotina retorna, os compromissos reaparecem, e muitas vezes a sensação é a mesma: nada mudou, apenas o tempo passou.
Talvez porque nenhum mês, feriado ou data especial tenha o poder de iniciar transformações por nós. O que muda não é o tempo, é a postura diante dele.
No fim, o ano não começa quando termina o Carnaval.
Ele começa quando termina a espera.
E isso pode acontecer em qualquer dia, mesmo porque o ano tem doze meses. Não?
*Professora, psicopedagoga e psicóloga, Sílvia Helena Cardoso do Amaral é pós-graduada em Psicologia Sexual, Neuropsicologia, Psicanálise Clínica, Saúde Mental e Terapia de Casais.

Silvia Helena Cardoso do Amaral / CRP06/113107
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