Finados x luto

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*Dra Silvia Helena Cardoso do Amaral

Palavra que se distingue no latim como “finãtus”, propriedade do verbo “finãre”, que se refere a “acabar”, terminar, com raiz na forma que finado é acabado ou terminado, referindo-se em particular a uma pessoa que chegou ao fim de sua vida que morreu. No entanto, seu uso na linguagem cotidiana perdeu-se em favor de termos como: falecido, defunto.

Mês de novembro foi destinado a se lembrar com mais propriedade desse fim. Deixando um dia específico para que nos lembremos que somos finitos.

Nesse momento lembramos do LUTO, momento de estrema dor, dor da separação carnal e ativa de uma pessoa querida, um figurante da vida cotidiana. O amor da vida de alguém.

Sendo um processo lento que tem caracterizado uma tristeza profunda, afastamento de toda e qualquer atividade ligada sobre o objeto perdido, a perda de interesse no mundo externo e a incapacidade de substituição com a adoção de um novo objeto de amor (Freud,1915)

Para falar de morte, precisa-se pensar na vida, quando uma jovem anuncia sua gravidez, há um derramar de alegria, uma comemoração que dura toda a gestação, há planos, idealização, preparativos, tudo a espera desse grande presente. Há ansiedade, há medo, há insegurança, insônia, porém o que mais realça e a esperança de que tudo será novo, perfeito e agradável.

Pensa-se no nome, no quarto, nos acessórios, na escola, na natação, no inglês, na faculdade, na vida toda desse novo ser que nem chegou ainda.

Há uma espera produtiva e otimista, tudo baseado no início e o futuro desse novo integrante e dessa família. Se para receber um nascimento na família cabe um processo de preparo, é sabido que isso antecede o que estar por acontecer.

O luto não deveria ser diferente, pois desde que nascemos já caminhamos para o fim, para o final de uma existência, mesmo que dure por muitos e muitos anos ela já está decretada a acontecer. Más nunca ninguém pensou sobre isso, por isso que o processo do luto é após e tão sofrível, pois de fato, mesmo que haja doença sempre será surpresa.

Processo de luto e a dor da perda, muitas vezes persiste por longo tempo limitado o enlutado a viver, e nesse processo cabe salientar que irá passar por estágios: negação, raiva, barganha, depressão e pôr fim a aceitação, muitas vezes não percebido pelo enlutado.

Também pudera, como aceitar logo de cara que uma pessoa amada, deixou de existir, houve seu fim, seu “finare”, a importância, o carinho, a convivência, o amor desaparece, não conviverá ou circulará mais entre os seus.

Emocionalmente é inaceitável, pois o luto de certa forma é egoísta, pois além de não se ter mais por perto aquele sujeito, estaremos para sempre sem ele. E isso é muito mais sobre nos do que sobre o que faleceu.

O luto é um processo doloroso, porém, a justificativa para isso seria encontrada quando tivessem condições de apresentar uma caracterização da dor. (Freud,1915).

Qual ser humano na sua constituição de ser vivente, aceita ou sabe lidar bem com as perdas? Sofrer quaisquer perdas e se envolver em muitas emoções e sentimentos intensos de tristeza, dor, melancolia, culpa e desesperança, quando não o remorso.

A pessoa que passa pelo luto ela enfrentará o pior momento a pior fase que é o 4ºestagio a depressão, pois além de todos os sintomas, ela pode passar por isolamento e começar apresentar necessidades cada vez maiores de introspecção.

Como então suavizar o processo de luto? Chorar em seus momentos de intensa dor, pois o choro ameniza, respeite seu tempo e seu processo, sofrer o luto e não se sucumbir a ele, com ações práticas no dia a dia.

· Acolher suas emoções, cultives as boas lembranças

· Criar rotinas, com aproximação sucessiva,

· Atividade física, que seja uma caminhada,

· Fortalecer contato com as pessoas significativas, construindo uma rede de apoio;

· Pratique a fé, momento de estar com DEUS.

· Cuidar dos seus pensamentos, da sua saúde mental

· Procurar ajuda.

A morte na família, de uma pessoa amada é considerada uma das experiencias mais difíceis de serem superadas, a dor gerada pelo rompimento de um vínculo afetivo produz a necessidade de reorganização nessa nova realidade, a perda.

E você que participa em certa distância desse processo, esteja por perto, acolha, ofereça escuta, dificulte o isolamento, chame para dar uma volta, reforce o contato visual, evitando o isolamento global desse enlutado.

Há quem evita falar da morte, porém aceitar a morte como um fato natural e incontrolável pode ser uma forma de valorizar a vida e aprender a viver bem.

Para Jung vida e morte não são separadas, pois a morte não significa o fim, mas uma experiencia vital, singular e profundamente transformadora para o caminho da individualização.

A bíblia cita: morrer significa cessar a vida, deixar de existir, de ter consciência. Quando uma pessoa morre, perde-se os sinais vitais e seu corpo e espírito são separados. Como dito em Eclesiastes 12:7 “o corpo volta ao pó e o espírito volta para Deus que o deu.”

Então com o passar do tempo, essa dor se tornara lembranças, e ficara uma saudade gostosa, vira história para contar e guardar para sempre. Nossos afetos, e muitas pessoas são sim eternas, dentro da gente.

* Professora, psicopedagoga e psicóloga, Sílvia Helena Cardoso do Amaral é pós-graduada em Psicologia Sexual, Neuropsicologia, Psicanálise Clínica, Saúde Mental e Terapia de Casais.

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