Artigo
*Dra Ana Carolina Salim Casseb Bochichio
A infecção urinária durante a gestação é um problema muito frequente devido às alterações fisiológicas da gravidez, que favorecem a colonização do trato urinário. Estes problemas afetam a qualidade de vida da mulher além de aumentar o risco de morbidade materna e fetal neste período. Por isso deve-se solicitar exames de rotina de urina e urocultura durante esse período, mesmo em mulheres assintomáticas.
É importante distinguir entre sintomas urinários e infecção do trato urinário (sintomática ou assintomática). Dúvidas sobre a interpretação dos exames e sintomas referidos são frequentes.
A Infecção no Trato Urinário (ITU) se manifesta de três maneiras:
- Bacteriúria assintomática – ocorre em 2% a 15% dos casos. Durante a gravidez está associada à morbidade materna, em particular a pielonefrite, sendo então indicado tratá-la. Ainda que as evidências sejam fracas, elas sugerem que também há associação entre resultados adversos neonatais (como sepse e infecções neonatais) com a infecção urinária não tratada ou não diagnosticada na gravidez.
Outra associação muito comum é a de ITU e prematuridade.
- Infecção do trato urinário baixa (cistite) – Pode ser tratada ambulatorialmente. Os sintomas mais conhecidos são: disúria, polaciúria e dor supra púbicos. Nestes casos, deve questionar se a gestante tem febre, dor lombar ou outros sintomas sistêmicos que possam sugerir uma infecção generalizada (sepse). Se a resposta for não, o provável diagnóstico será uma cistite.
Quanto ao tratamento da cistite, quando a mulher não está grávida, os sintomas são suficientes para iniciar o tratamento. Já durante a gestação, o tratamento dos sintomas da cistite não deve ser empírico. Isso porque deve-se evitar a exposição fetal à um antibiótico (mesmo que reconhecidamente seguro); o tratamento de pacientes baseado em diagnósticos incorretos acaba gerando diagnósticos de ITU de repetição, que não são verdadeiros.
O manejo da gestante com sintoma urinário, mas sem indícios de pielonefrite, deve ser feito a partir da solicitação de um exame de urocultura com início do tratamento após o resultado.
- Infecção do trato urinário alta (pielonefrite) – Nestes casos, a gestante apresenta, além de disúria, polaciúria e dor supra púbica, dor lombar e febre. É necessário avaliar se, além da pielonefrite ela tem sepse. O manejo da paciente com pielonefrite é sempre hospitalar. A melhora clínica e ausência de febre em 24h – 48h é critério de substituição da medicação venosa por medicação oral e alta para o domicílio.
O diagnóstico diferencial é fundamental para que o tratamento seja adequado. Uma vez identificada uma urocultura positiva na gravidez, é necessário tratá-la. A escolha do antibiótico para tratamento deve ser feita a partir da sensibilidade da bactéria identificada e o perfil de segurança do antibiótico. A duração ótima do tratamento é desconhecida, sendo indicado regimes de 3 a 7 dias.
Sintomas urinários são comuns, frequentes e inespecíficos. Frequência e urgência podem ser achados fisiológicos durante a gestação, mesmo em mulheres sem cistite ou bacteriúria comprovadas. Estes sintomas tendem a piorar conforme a gravidez progride.
Apesar da quimioprofilaxia contra ITU recorrente na gestação seja uma prática muito utilizada, não há evidências científicas que embasem seu uso.
Se você suspeita de infecção urinária na gravidez, procure seu médico.
Evite se automedicar ou realizar tratamentos caseiros, isso pode complicar seu estado de saúde e dificultar o que poderia ser inicialmente um tratamento simples.
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Dra Ana Carolina Salim Casseb Bochichio/ CRM: 192016
Nefrologista/Clínica Médica/ RQE:104509 // Medicina do Trabalho
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